Como tudo começou

O ano era 2004. Eu estava na metade do meu curso de graduação e participava do meu primeiro congresso nacional em botânica. Eu precisava escolher um minicurso para fazer e a dúvida me consumia.

Dentre tantas opções, pensei em qual carreira eu queria seguir. Considerei a genética, influenciada pelas opiniões dos meus colegas, mas como era o minicurso mais procurado, logo as vagas se esgotaram. Entre as opções restantes, lá estava ele: Biologia das abelhas. O curso parecia promissor, e o professor se chamava Sinovaldo (depois de alguns meses nos tornamos colegas de laboratório).

Fiquei simplesmente apaixonada! Devorei todo o conteúdo. Nunca um assunto havia prendido tanto a minha atenção. Sabatinei Sinovaldo com tantas dúvidas que me renderam um convite para conhecer o apiário.

Foi fabuloso descobrir sobre a biologia das Apis mellifera, sua organização dentro da colmeia, ver o voo que rendeu o Prêmio Nobel. Fabuloso!

Chegando em casa, inundei os ouvidos do meu então marido sobre o assunto, mas minha cabeça foi muito além daquilo. Pensei em como poderia ganhar dinheiro com as abelhas. Sendo mãe recente, tudo o que eu estudasse teria que necessariamente me render alguma fonte de renda.

Bom, depois desse curso, me inscrevi no programa de IC (Iniciação Científica) e minha exigência foi: Quero trabalhar com abelhas!! O coordenador do projeto me encaminhou para o Coordenador das Abelhas: Dr. Darcet, e começou ali uma magnífica amizade.

Como estudante de biologia, fui encaminhada para o laboratório de Química Analítica para trabalhar com o Dr. Sebastião Barros, químico que me orientou no estudo de análise de metais pesados em pólen de melíponas.

Já sabendo tudo o que conseguia aprender sobre abelhas com ferrão, era hora de estudar as melíponas e mergulhar nesse universo fabuloso.

Meu estudo com o pólen foi um desafio enorme em minha vida. Apesar de não ter publicado a pesquisa e ter perdido grande parte dela devido ao afastamento do Dr. Tião, o que aprendi, carrego até hoje.

Embora meu contato com as abelhas fosse exigido apenas academicamente, procurei me envolver com diversos apicultores para conhecer de fato como trabalhar com elas. E assim fiz! Fui para a roça, levei ferroadas na cara, nas mãos e corri de abelhas para aprender como maneja-las.

Aprendi com os melhores. Os apicultores analfabetos que não sabiam nem escrever seus nomes, mas tinham todas as artimanhas com as abelhinhas, com e sem ferrão. Produtores pequenos e grandes me ensinaram todas as maravilhas desse universo.

O que aprendi ali, aplico até hoje em um resgate que faço e ensino aos meus alunos, pois esse conhecimento, infelizmente, não se encontra em livros.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *